Inclusão de pessoas com deficiência representa problema para gestor do esporte de São Caetano do Sul

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu investigação para apurar práticas de discriminação e capacitismo institucional por parte do então secretário de Esportes, Lazer e Juventude de São Caetano do Sul, Mauro Roberto Chekin. A apuração ocorre após falas feitas pelo gestor durante uma audiência pública na Câmara Municipal, em que classificou a inclusão de pessoas com deficiência no esporte como um “problema” e afirmou não conseguir trabalhar com esse público.


Chekin demonstrou desconhecimento quando disse que não saberia dar aula de natação para menina com deficiência que usa fralda. Rapidamente, foi rebatido pela vereadora Bruna Biondi que explicou funcionar da mesma forma que bebês fazem aula de natação, com fraudas próprias para resistir ao contato com a água. Em outro momento, Mauro relatou uma experiência vivida ainda na faculdade de Educação Física e afirmou que sua “condição psicológica e física” seria “muito frágil para esse tipo de coisa”.


As falas são graves e ainda mais problemáticas por virem de alguém que ocupava justamente a pasta responsável por garantir acesso ao esporte e à inclusão. Quando um agente público afirma que inclusão é um problema, a mensagem transmitida para famílias, crianças, adolescentes e atletas com deficiência é a de que seus corpos e existências não pertencem àqueles espaços.


No Brasil, pessoas com deficiência já enfrentam inúmeras barreiras para acessar atividades esportivas: falta de profissionais capacitados, ausência de acessibilidade arquitetônica, escassez de equipamentos adaptados e exclusão social desde a infância. Quando o próprio poder público reforça discursos capacitistas, essas barreiras se tornam ainda maiores.


O reflexo disso são experiências como a minha. Na época da escola, a aula de educação física era a que eu menos gostava. Isso justamente pela falta de consciência dos profissionais e de um trabalho de inclusão robusto e continuado.

Luísa Pitanga em uma de suas tentativas de inclusão no esporte durante a infância 


É importante destacar que inclusão não é favor, gentileza ou escolha individual de um profissional. Inclusão é direito garantido pela Constituição Federal, pela Lei Brasileira de Inclusão e pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Não deveria depender da “vontade” de gestores públicos e profissionais de educação física.


Quando pessoas com deficiência têm acesso à acessibilidade atitudinal e profissionais que presumam suas competências, os resultados são os melhores possíveis. Uma prova disso é o excelente desempenho do Brasil em relação ao mundo nos Jogos Paralímpicos


A exoneração e investigação de Mauro Roberto Chekin acontecem após forte pressão pública, mas elas não encerram o debate. O episódio precisa servir como alerta sobre o quanto o capacitismo ainda está presente nas instituições. 

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